Bolsa segue alimentada por grau de investimento, e amparada por alta de commodities, sobe mais 1,17% e quebra novo recorde
SÃO PAULO - A instabilidade proporcionada pelo noticiário corporativo aos índices de Wall Street não mostrou força suficiente para barrar a influência positiva de um mix de avanço do preço das commodities com reflexos do grau de investimento. A bolsa brasileira mostrou-se alheia às perdas externas, enquanto o dólar comercial voltou a subir.
E a importância da obtenção do investment grade à bolsa brasileira pode ser evidenciada pela valorização das ações. Mesmo depois da expressiva alta da semana passada, o Ibovespa - principal índice acionário doméstico - ainda encontrou fôlego para buscar a margem dos 70 mil pontos, novo recorde histórico.
O movimento do dia também foi fortemente influenciado pela extensão do rali de preços das matérias-primas energéticas e metálicas no mercado internacional. A grande exposição do mercado doméstico a este segmento pode ser fundamentada pela participação da Vale e da Petrobras no índice, e a alta destes papéis nesta segunda-feira (5) em grande parte pode ser associada à alta do preço do petróleo e dos metais.
Mas o otimismo se limitou às ações brasileiras, pois em Wall Street, as incertezas geradas pelo noticiário corporativo perduraram. A desistência da Microsoft pela aquisição do grupo Yahoo! penalizou os papéis atrelados ao setor de tecnologia, enquanto rumores de que o Bank of America não concretizará a compra dos ativos da Countrywide Financial também pesavam para o lado das perdas.
Entre estas ocorrências, a agenda de indicadores foi ofuscada. Na esfera externa, apenas o bom ISM Services não conseguiu alterar o rumo dos negócios já pressionado pelo noticiário das empresas, enquanto os indicadores inflacionários ficaram para segundo plano no Brasil, frente aos desdobramentos do grau de investimento.
Ibovespa acima dos 70 mil pontos; dólar sobe
Em meio a este cenário, o Ibovespa - principal índice acionário brasileiro - não se abateu com a instabilidade de Wall Street e fechou com valorização de 1,17%, que o colocou pela primeira vez acima dos 70 mil pontos, mais precisamente a 70.175 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 6,99 bilhões.
No mercado de câmbio, o dólar comercial cedeu à pressão externa e voltou a avançar frente ao real. A alta de 0,55% colocou a moeda norte-americana na casa de R$ 1,6590. Ainda assim, o saldo anual é de desvalorização de 6,7% do dólar ante à divisa brasileira.
Maiores altas e baixas
As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:
 
 
Cód.
Ativo
Cot R$
% Dia
% Ano
Vol1
Links
 
 
LIGT3
Light ON
28,19
+9,26
+2,54
13,79M
   
 
TNLP4
Telemar PN
39,30
+5,33
+15,59
88,04M
   
 
RSID3
Rossi Resid ON
19,82
+4,86
-11,92
73,05M
   
 
KLBN4
Klabin PN
7,00
+4,79
+8,54
8,80M
   
 
ELPL6
Eletropaulo PNB N2
39,25
+4,24
+10,92
24,08M
   
 
As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:
 
 
Cód.
Ativo
Cot R$
% Dia
% Ano
Vol1
Links
 
 
JBSS3
JBS ON
8,31
-3,81
+41,66
29,83M
   
 
BRTO4
Brasil Telecom PN
18,02
-3,37
+5,19
32,77M
   
 
BNCA3
Nossa Caixa ON
25,11
-2,67
+6,90
4,46M
   
 
GFSA3
Gafisa ON
37,40
-2,24
+13,40
31,72M
   
 
VIVO4
Vivo Part PN
12,00
-2,12
+27,52
34,19M
   
 
As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :
* - Lote de mil ações 1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 
 
Código
Ativo
Cot R$
Var %
Vol1
Vol 30d1
Neg
 
     
 
PETR4
Petrobras PN
43,85
+1,97
969,56M
624,30M
17.745
 
     
 
VALE5
Vale Rio Doce PNA
54,40
+1,68
688,68M
594,68M
10.632
 
     
 
PETR3
Petrobras ON
52,80
+2,50
294,46M
101,40M
2.623
 
     
 
USIM5
Usiminas PNA
80,60
+0,24
286,20M
129,29M
4.336
 
     
 
BBDC4
Bradesco PN
40,30
-0,44
205,91M
159,52M
4.725
 
 
O destaque positivo do dia ficou por conta das ações ordinárias da Light, que reagiram à ansiedade dos investidores com a divulgação dos resultados operacionais do primeiro trimestre, prevista para o fechamento da sessão. Os papéis dispararam 9,26% e lideraram as altas do Ibovespa.
Na contramão, os ativos ordinários da JBS-Friboi passaram por ajuste após três pregões seguidos de alta e encabeçaram as perdas do índice, marcando derrocada de 3,81%.
Renda Fixa
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 138,60% de seu valor de face, o que representa uma alta de 0,65%.
Já o risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 199 pontos-base, alta de 2 pontos em relação ao fechamento anterior.
Bolsas dos EUA no vermelho
Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em baixa de 0,68% e atingiu 12.970 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite desvalorizou-se 0,52%, a 2.464 pontos. Da mesma forma, o índice SP 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, caiu 0,45% a 1.407 pontos.
Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou alta de 2,11% e atingiu 6.216 pontos.No mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt valorizou-se 0,13% a 7.052 pontos. Por outro lado, o CAC 40 da bolsa de Paris fechou em leve baixa de 0,13%, atingindo 5.063 pontos.
Veja os indicadores previstos para a terça-feiraSem indicadores de peso na esfera externa, a terça-feira (6) traz em destaque novamente a inflação, com a divulgação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente ao mês de abril pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
Paralelamente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresenta a Pesquisa Industrial Nacional de março, que acompanha a evolução do nível de produto na indústria doméstica.
Pesquisa: Jr. Holanda