
Pai e madrasta de Isabella são levados para delegacia
Juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, decretou nova prisão do casal.
Pedido foi encaminhado pela Polícia Civil e teve parecer favorável do MP.
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, presos preventivamente nesta quarta-feira (7) por determinação do juiz Mauricio Fossen, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Santana, deixaram o prédio da família dos pais dela em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Alexandre e Anna Carolina foram algemados na garagem do prédio antes de entrarem no carro da Polícia Militar.
Caso Isabella: cobertura completa
O casal será encaminhado ao 9º Distrito Policial, de acordo com o delegado titular, Calixto Calil Filho, para assinar um documento relativo à prisão. O pai e a madrasta de Isabella são acusado pela morte da menina, em 29 de março. Após assinar a prisão, Alexandre e Anna Carolina serão levados ao Instituto Médico-Legal, onde serão submetidos a exame de corpo de delito.
Depois do exame, que serve para constatar que a integridade dos presos está preservada, Anna Carolina e Alexandre Nardoni serão encaminhados a unidades policiais onde ficarão presos. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, é possível que Alexandre, que tem diploma universitário, seja encaminhado ao 13º Distrito Policial, na Casa Verde, Zona Norte, onde poderá ficar detido até o julgamento.
Anna Carolina, que durante a prisão provisória ficou dez dias no 89º Distrito Policial do Morumbi, na Zona Sul será encaminhada para outro distrito policial.
Policiais militares contiveram a multidão estimada em mais de 800 pessoas que se aglomerou em frente ao prédio. Um grupo de policiais revistou, na garagem, os carros de moradores que saiam do prédio para supostamente evitar que o casal fuja.
O juiz aceitou integralmente a denúncia do Ministério Público contra o casal. Com isso, Alexandre e Anna Carolina passam a ser réus de processo judicial.
Os advogados do casal afirmam que, após ler o relatório do juiz Fossen, vão entrar com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo. Se o Tribunal de Justiça não conceder liberdade ao casal, Alexandre e Anna Carolina Jatobá podem ficar presos até o julgamento.
Denúncia
O promotor Francisco Cembranelli, protocolou na terça-feira (6) a denúncia em que acusa o casal de homicídio doloso triplamente qualificado (meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e para ocultar outro crime). Ele também encaminhou parecer favorável ao pedido de prisão preventiva do casal feito pela polícia.
Para o promotor, Anna Carolina Jatobá esganou Isabella e Alexandre Nardoni arremessou a criança do 6º andar. “Ambos mataram”, disse Cembranelli em entrevista coletiva na tarde de terça-feira. Antes do crime, afirmou Cembranelli, houve uma “discussão acalorada” do casal motivada por ciúme de Anna Jatobá em relação a Alexandre Nardoni. Neste momento, a criança foi ferida por um objeto contundente na testa. Depois, a madrasta apertou o pescoço da vítima com as mãos. O promotor defende que, sabendo que a criança estava viva, Nardoni jogou Isabella pela janela, incentivado pela esposa.
‘Denúncia superficial’
Um dos advogados de defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, Marco Polo Levorin, disse na terça-feira que a denúncia encaminhada pelo promotor à Justiça é superficial. “Nós entendemos que a denúncia é superficial. A gente vem ressaltando a vulnerabilidade das provas. A gente pode observar incongruências na própria denúncia. Agora haverá o transcurso da instrução criminal e a gente está confiante em uma decisão favorável ao casal”, disse ele.
VEJA VÍDEO AO VIVO DA PRISÃO DO CASAL NARDONI
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM824792-7823-N-PROCESSO+CONTRA+NARDONI+E+JATOBA+E+ABERTO+E+ELES+SAO+REUS,00.html
Pesquisa: Jr. Holanda
Veja detalhes da perícia no apartamento de pai de Isabella

A investigação da morte da menina Isabella Nardoni colheu depoimentos de testemunhas e provas técnicas no prédio onde ela foi assassinada, na Zona Norte de São Paulo. Isabella foi asfixiada e atirada da janela do 6º andar do prédio onde morava o pai dela, Alexandre Nardoni, a madrasta, Anna Carolina Jatobá, e os dois irmãos.
Veja o site do Jornal Nacional
O Jornal Nacional teve acesso exclusivo aos detalhes da perícia. Um dos trabalhos dos peritos foi verificar a possibilidade de o prédio ter sido invadido na noite do crime. Foram usadas, pelos técnicos, setas brancas para indicar a cerca eletrificada, instalada no alto dos muros e no teto da churrasqueira, nos fundos.
Caso Isabella: cobertura completa
Os peritos também simularam a invasão do apartamento pela parte mais baixa, na frente do edifício. Eles concluíram que a tentativa de escalada deixaria vestígios. Mas, segundo os técnicos, não havia nenhum sinal de escalada, nem de arrombamento de portões ou dano à cerca elétrica.
Nenhum dano também foi encontrado na porta do apartamento de Alexandre Nardoni. Os peritos descreveram: chave perfeitamente encaixada no miolo, com funcionamento normal.
Dentro do apartamento, os peritos observaram desordem, mas não sinais de luta. Gotas de sangue eram visíveis a olho nu. No hall de entrada, no corredor de acesso aos quartos, no parapeito da janela de onde Isabella foi arremessada. Mais tarde, os exames revelaram que se tratava de sangue recente, sangue de Isabella.
Saiba mais
Em outros pontos do apartamento, houve tentativa de limpeza, mas o reagente químico usado pela perícia revelou presença de sangue. A maior quantidade de sangue estava na sala, perto do braço do sofá.
No carro de Alexandre, o reagente químico usado pela perícia também mostrou a presença de sangue: no assoalho, no banco do motorista e na cadeirinha de bebê. Como a amostra era pequena, porém, não foi possível fazer exame de DNA e dizer com precisão de quem era o sangue.
O reagente foi usado ainda na fralda que estava de molho na área de serviço, mas os peritos não afirmam que é sangue de Isabella na fralda, nem na gota que estava na sapatilha de Anna Carolina Jatobá.
No quarto de onde Isabella foi jogada, foram encontradas manchas de sangue sobre os lençóis, da palma da mão infantil suja de sangue, as marcas de chinelo e o solado desse mesmo chinelo na comparação que mostrou que era o mesmo que Alexandre Nardoni usava na noite do crime.
A marca deixada pela uma pequenina mão, como os peritos escreveram, não pode ser identificada porque a polpa do dedo não estava nítida o suficiente para identificar as digitais.
Foram feitas várias simulações para testar os vestígios deixados na camiseta de Alexandre. Em uma das simulações, o perito imitou a posição do assassino, segurando um peso igual ao de Isabella. A conclusão foi de que as marcas que ficaram na camiseta do perito são compatíveis com aquelas encontradas na camiseta que Alexandre usava.
Ainda segundo os peritos, foi encontrado ainda o rastro que a mão direita da menina deixou na fachada do prédio.
Os peritos que fizeram os laudos estão entre as 16 testemunhas da acusação. Eles serão chamados para explicar ao juiz responsável pelo caso Isabella as provas técnicas que, segundo a promotoria, incriminam o casal. Este será um dos passos do processo contra os Nardoni, que vai começar com o interrogatório dos réus no dia 28 de maio.