Domingo, 18 de Maio de 2008 

Mário Vargas Llosa

Quando a senadora Hillary Clinton compreendeu ser quase impossível ser indicada candidata do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos - pois seu rival, o senador Barack Obama, já tem uma vantagem em votos, delegados e Estados que ela não conseguirá igualar -, a ex-primeira-dama recorreu, como é hábito entre os políticos, a armas proibidas. No caso, a questão racial. E declarou que as eleições primárias, até então, mostravam que ela era a preferida dos eleitores da “América branca”.

Embora tenha sido bastante criticada por ter ressuscitado um tema tão execrável e explosivo num país como os Estados Unidos - até o jornal The New York Times, que apoiou sua candidatura, censurou-a em um editorial -, pelo menos aparentemente, o recurso utilizado acabou dando bom resultado: na terça-feira, nas primárias da Virgínia Ocidental, o Estado mais “branco” do país, Hillary obteve uma vitória esmagadora, com mais de 100 mil votos de vantagem sobre seu concorrente.

Um triunfo sugestivo, mas insignificante na prática. Isso porque, por causa da sua escassa população, a Virgínia Ocidental tem um número muito pequeno de delegados - e Obama continua conquistando superdelegados entre os independentes.

Aliás, alguns dos que prometeram respaldar a senadora acabaram decidindo apoiar Obama. E na semana passada John Edwards, que foi pré-candidato nas primárias e vinha sendo cortejado insistentemente pelos dois competidores, decidiu-se também pelo senador. O apoio de Edwards é importante porque ele tem muita influência no meio operário e sindical, onde Hillary é bastante popular.

Pesquisa Jr. Holanda