Mercado doméstico foge da realização e encontra espaço para novos recordes

SÃO PAULO - Depois de duas altas consideráveis, a presença de um movimento de realização passa a ser inquestionável. Mas, apesar da pressão pelo ajuste, o mercado doméstico encontrou espaço para novos recordes. Espaço este oferecido por um cenário de ganhos externos durante boa parte do dia e participação marcante do noticiário corporativo interno.
Além de afastar a bolsa brasileira do vermelho, estes componentes ainda reservaram para a segunda-feira (19) o nono recorde de fechamento do Índice Bovespa no ano, o terceiro consecutivo. Nem mesmo a instabilidade demonstrada por Wall Street no final do dia conseguiu barrar o ciclo ascendente do mercado doméstico, que ainda contou com uma breve recuperação do dólar frente ao real.
E o viés negativo introduzido pela expectativa de correção foi contrariado desde o início da sessão. A agenda norte-americana já trazia tranqüilidade pelo baixo número de ocorrências, e ainda surpreendeu positivamente com um avanço inesperado no Leading Indicators.
Mas enquanto a valorização de papéis atrelados aos setores de transportes e tecnologia alimentava ganhos durante boa parte do intraday, o petróleo voltou a testar patamares recordes no final da sessão e levou consigo grande parte dos ganhos anteriores, com perspectivas inflacionárias renovadas.
Noticiário interno pesa
A instabilidade de Wall Street no final não mostrou-se suficiente para limitar os avanços dos mercados domésticos, que tinham como fator isolado uma presença marcante do noticiário corporativo, que ajudou a limitar o impacto sobre o Ibovespa.
Rumores de possível retomada do processo de privatização foram recebidos com disparada das ações da Cesp, enquanto os ativos da Petrobras voltaram a influenciar o índice, entre perspectivas de novos projetos produtivos de grandes proporções, além de estatísticas da consultoria Economática, que colocaram a empresa à frente da gigante Microsoft em valor de mercado, na terceira posição do continente americano.
Ibovespa tem terceiro recorde seguido; dólar avança
Estes ingredientes renderam mais uma valorização para o Ibovespa, agora de 0,92%. Tal variação colocou o índice na casa de 73.439 pontos, novo recorde histórico de fechamento. Outro destaque do dia foi o volume financeiro, que totalizou R$ 11,58 bilhões, inflado pelo vencimento de opções.
No mercado de câmbio, o dólar comercial rebateu parte das perdas frente ao real na última sexta-feira, em que a moeda norte-americana fechou em menor nível desde 1999. Com avanço de 0,49%, o dólar fechou cotado a R$ 1,6500.
Maiores altas e baixas
As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:
Cód.
Ativo
Cot R$
% Dia
% Ano
Vol1
Links
CESP6
Cesp PNB
30,90
+6,00
-28,81
190,64M
JBSS3
JBS ON
8,20
+3,92
+39,78
23,54M
PETR4
Petrobras PN
50,00
+3,84
+13,83
1,56B
ARCZ6
Aracruz PNB
14,79
+3,28
+17,01
22,74M
GOAU4
Gerdau Met PN
109,24
+3,25
+54,94
69,72M
As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:
Cód.
Ativo
Cot R$
% Dia
% Ano
Vol1
Links
RSID3
Rossi Resid ON
14,75
-5,32
-34,45
101,38M
LREN3
Lojas Renner ON
38,30
-4,25
+8,61
26,39M
LIGT3
Light ON
25,60
-3,93
-6,88
7,92M
TRPL4
Trans Paulista PN
46,49
-3,74
+26,39
12,50M
ELPL6
Eletropaulo PNB N2
37,57
-3,04
+6,18
29,62M
As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :
* - Lote de mil ações 1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
Código
Ativo
Cot R$
Var %
Vol1
Vol 30d1
Neg
PETR4
Petrobras PN
50,00
+3,84
1,56B
904,63M
21.239
VALE5
Vale Rio Doce PNA
58,70
+0,13
762,20M
624,94M
12.349
PETR3
Petrobras ON
59,69
+3,09
291,04M
171,61M
3.474
BBDC4
Bradesco PN
38,90
+1,54
255,02M
212,18M
5.568
USIM5
Usiminas PNA
94,60
+1,50
254,31M
182,03M
4.508
A maior valorização do Ibovespa foi a das ações da Cesp. A resposta ao avanço dos rumores em torno da retomada do processo de privatização rendeu forte alta de 6,0% aos papéis.
Na outra ponta, os ativos da Rossi Residencial mais uma vez foram penalizados pelos “fracos” dados operacionais reportados no final da semana passada, e lideraram o movimento declinante do índice, com derrocada de 5,32%.
Renda Fixa
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 138,25% de seu valor de face, o que representa uma queda de 0,04%.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 205 pontos-base, alta de 3 pontos em relação ao fechamento anterior.
Bolsas dos EUA com sinais opostos
Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas , fechou em leve alta de 0,32% e atingiu 13.028 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice SP 500 valorizou-se 0,09%, a 1.427 pontos. Por outro lado, a Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em baixa de 0,50%, atingindo 2.516 pontos.
Na Europa, o índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou alta de 1,26% e atingiu 5.142 pontos.No mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres valorizou-se 1,15%, chegando a 6.377 pontos.Já o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, subiu 0,97%, a 7.226 pontos.
Veja os indicadores previstos para a terça-feiraNa terça-feira (20), a inflação é foco tanto no Brasil quanto nos mercados norte-americanos. Por aqui, destaque para o IPC - Fipe referente à segunda quadrissemana de maio, além do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) do segundo decêndio de maio.
Na esfera externa, destaque para a apresentação dos números do PPI (Producer Price Index) e de seu núcleo, que descrevem os preços praticados por produtores durante o mês de abril.
O dia ainda conta com a divulgação da Nota de Mercado Aberto de abril no Brasil, e o segundo dia de reunião do Bank of Japan.
Fonte:

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Pesquisa: Jr. Holanda